Movimento Conspiração Mineira pela Educação

Quando o assunto é Educação, qualidade para poucos não é qualidade, é privilégio. Assim que Evando Neiva, educador e Presidente do Movimento Conspiração Mineira pela Educação, começa uma explicação sobre esta conspiração que preside e ajudou a fundar.
No segundo semestre de 2006, Neiva foi convidado pela Associação Comercial de Minas Gerais – ACMinas e pela Fundamig para criar uma diretoria de educação nas duas instituições, com o propósito de encontrar formas de colaboração entre empresários e entidades do terceiro setor para a melhoria da educação pública. No mesmo período, foi lançado o movimento nacional Todos pela Educação, em São Paulo, que tem como missão contribuir para que até 2022, ano do bicentenário da Independência do Brasil, todas as crianças e jovens do país tenham acesso a Educação Básica de qualidade. Assim, decidiram em Minas Gerais, lançar o movimento Conspiração Mineira pela Educação, uma iniciativa conjunta da ACMinas e Federação Mineira de Fundações e Associações de Direito Privado – Fundamig.
A Conspiração Mineira pela Educação é um movimento social de voluntários com o objetivo de formar uma ampla rede para contribuir para melhorar a qualidade da educação pública de base – Infantil e Ensinos Fundamental e Médio, em Minas Gerais.
“90% dos alunos mineiros na Educação Básica frequentam a escola pública. São números da faixa de 3.750 escolas estaduais, 10 mil escolas municipais, 300 mil professores e quatro milhões de alunos” enfatiza Antônio Carlos Cabral Aguiar, Diretor Adjunto de Educação da Fundamig e Coordenador do Comitê de Parcerias da Conspiração Mineira pela Educação.
“O governo sozinho não dá conta. É necessário o engajamento dos demais setores para prestarem sua impostergável colaboração”, argumenta Aguiar. Ele define o Movimento como “um caso bem estruturado de aliança intersetorial, que se iniciou no plano macro com o primeiro setor representado pela ACMinas e o terceiro pela Fundamig. Assim formou-se a base do triângulo, cujo terceiro vértice é o setor público, representados por Secretaria Estadual e Municipais de Educação”.

“É preciso toda uma aldeia para educar uma criança”
Provérbio africano

A Fundamig é quem organiza e lidera o Movimento, nas pessoas dos diretores de educação Neiva e Aguiar, dois conspiradores de primeira hora. O Comitê de Parcerias desenvolve a rede colaborativa, ao atrair instituições de educação do terceiro setor filiadas à Fundamig e empresas de grande, médio e pequeno porte não dispostas a investir financeiramente, mas sim de serem voluntárias oferecendo projetos que já realizam e que tenham a ver com o escopo de seus negócios, dentro das escolas públicas. A atuação acontece em diferentes regiões do Estado, nas escolas públicas – municipais e estaduais. “Muitas empresas consideram mais eficaz o trabalho em rede que o trabalho isolado. A parceria é a alma da Conspiração”, comenta Aguiar. “Precisamos trabalhar e respirar juntos. Para ter qualidade para todos, precisamos de todos pela qualidade. Não é simples, nem fácil, mas vale à pena”, completa Neiva.

“A nova qualidade que está em gestação tem premissas claras, ainda que possa ser complexa a sua concretização”,
Evando Neiva

Premissas da Nova Qualidade da Educação

• A nova qualidade tem que ser para todos, devendo ser construída de escola em escola, com um diretor
fortalecido e apoiado pela aliança.
• O diretor deve ser suficientemente forte, para ser fraco o bastante para que os professores sejam fortes.
• O professor deve ser suficientemente forte, para ser fraco o bastante para que os alunos sejam fortes.
• Os alunos devem ser a principal força de trabalho na escola.
• O foco no ensino deve ser substituído pelo foco na aprendizagem.
• As escolas devem compartilhar as suas melhores práticas pedagógicas e de gestão.
• Os pais devem ser os parceiros primordiais das escolas.
• A escola só é boa quando o aluno aprende.
• Os indicadores de aprendizagem devem ser sistematicamente aferidos e compartilhados.
• O progresso deve ser reconhecido, premiado e celebrado.

Fóruns de Diretores

A principal forma de atuação do Movimento é a realização dos Fóruns de Diretores: encontros mensais com a liderança das escolas. “Logo nos primeiros encontros”, lembra-se Neiva, “conseguimos extrair a essência da mudança para a nova qualidade almejada”. Os diretores escolheram cinco prioridades para serem trabalhadas:

• Pacificação da escola
• Motivação dos professores
• Motivação dos alunos
• Integração família-escola
• Melhoria dos indicadores de aprendizagem

Nestes fóruns, as escolas aprendem umas com as outras. “Levamos palestrantes, educadores e especialistas nos assuntos considerados prioritários. Compartilhamos as melhores práticas, os diretores trocam experiências. Promovemos o fortalecimento do diretor, pois é assim que a gente chega até a sala de aula e melhora a vida do aluno, pois sabemos que a escola tem a cara de seu diretor”, explica Neiva.

Avaliação positiva

Sueli Maria Baliza Dias é Secretária Municipal de Educação de Belo Horizonte e lembra-se que conheceu a Conspiração Mineira pela Educação em 2007 quando era reitora da UNI-BH. “Desde então, tenho colaborado com esse trabalho por acreditar que a união dos diversos setores da sociedade é o caminho para uma Educação de qualidade para todos”, conta Sueli e complementa: “como representante do primeiro setor, posso afirmar que este trabalho em conjunto nos oferece a oportunidade de mostrar e compartilhar experiências exitosas na área da Educação, além de estimular diretores, professores e alunos a trabalhar de forma prazerosa”.
A avaliação de Baliza do trabalho da Conspiração é muito positiva. “O Movimento vem para somar e contribuir com a qualidade da Educação e para resgatar a imagem muitas vezes desgastada da escola pública. Esta corrente ajuda a reforçar a luta pela valorização da Educação e especialmente do professor. Traz o primeiro plano para a escola, que é vista como protagonista no processo educacional, como um bom lugar para o trabalho e para a convivência”, exalta a Secretária de Educação de BH e ainda elogia a Conspiração por seu caráter apartidário e independente, por ser um movimento da sociedade civil organizada e consciente do papel social de cada setor para a conquista da Educação de qualidade para todos.
“Acredito que com todos os setores voltados para o mesmo objetivo, nossa Educação tem muito a avançar. Nossa experiência na rede municipal de ensino confirma isto”, comenta Baliza e descreve: “desenvolvemos um trabalho de sucesso que envolve diversos setores e entidades parceiras, como organizações sociais, clubes, universidades e academias, que nos ajudam no atendimento dos estudantes do Ensino Fundamental com o Programa Escola Integrada e da Educação Infantil, com as creches conveniadas”.
O segundo setor também tem histórias exitosas com a Conspiração Mineira pela Educação. Em 2013, o Banco Bradesco começou uma parceria para oferecer Educação Financeira para jovens estudantes na região metropolitana de Belo Horizonte. Na primeira etapa do programa, 67 escolas municipais foram contempladas e mais de 300 professores e sete mil alunos do Programa Jovem Aprendiz foram capacitados. Aurélio Guido Pagani, Diretor do Bradesco Varejo, conta que os professores receberam não somente as noções básicas de como administrar adequadamente seus recursos financeiros, mas também todo o material didático necessário para a condução do tema em sala de aula. “Este ano, vamos prosseguir com a ação que irá beneficiar 400 professores e 20 mil alunos. Ao abordarmos este tema com os jovens, estamos desenvolvendo uma nova geração com as habilidades e comportamentos para tornar a convivência com o dinheiro equilibrada e capaz de encontrar, por méritos próprios, os caminhos para sua independência financeira, bem como o uso responsável do crédito e demais produtos e serviços bancários”, explica Pagani.
Os resultados da Conspiração Mineira pela Educação são vistos no aumento das notas das escolas participantes nas avaliações de aprendizagem. Neiva mostra que enquanto a média no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) das escolas públicas brasileiras saltou de 4,4 em 2007 para 5,0 em 2011, as escolas da Conspiração saíram do mesmo patamar para 5,5. “Isso é um salto gigantesco quando pensamos que a meta para 2022 é de média 6.0 e que a expectativa oficial é de que o índice melhore 0,2 pontos a cada ciclo de avaliação”, explica Neiva.
Também nos resultados no Programa de Avaliação da Alfabetização (PROALFA) houve evolução nas escolas beneficiadas pelo Movimento. As escolas da Conspiração, em 2009, estavam muito abaixo da média mineira de 65%, com apenas 51%. Em 2010, apresentaram um grande salto, subindo a média para 67%, enquanto Minas subiu para 76%. No ano seguinte, Minas fez média de 82% e as escolas no Movimento, de 81%. Foi um salto de 30 pontos percentuais em dois anos, enquanto a média de crescimento no PROALFA de todas as escolas do estado foi de 17 pontos.

Mudança irreversível

Neiva tem como certo que a mudança na Educação é irreversível e como prova, apresenta alguns fatores:
• Políticas públicas consistentes e sistemáticas resultaram na universalização da matrícula no ensino fundamental (quase todas as crianças estão na escola, na idade certa).
• Com o aumento expressivo do comprometimento da sociedade civil organizada com a educação, inúmeras ações de parcerias estão sendo desenvolvidas.
• Criação de sistemas de avaliação de aprendizagem de classe mundial, a exemplo do IDEB e PROALFA, possibilitando entender e corrigir falhas, cobrar resultados e premiar os êxitos.
• Intercâmbio de práticas pedagógicas e de gestão suficientemente robustas para melhorar a aprendizagem. Assim, as escolas estão aprendendo umas com as outras.
• Criação do FIES, viabilizando a formação superior para milhões de jovens de famílias pobres.
• Consciência ampliada de que sem uma educação de qualidade para todos, o Brasil não realizará suas potencialidades – equidade social, desenvolvimento sustentável e inserção competitiva na economia internacional
“Este conjunto de fatores atuando de forma orquestrada e sem pausa permitirá alcançar as desafiadoras metas de aprendizagem na próxima década, ao comemorarmos o Bicentenário da Independência. Estamos falando de uma maratona e não de uma corrida de 100 metros rasos”, acredita Neiva.


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Back to Top ↑