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Professor efetivo da pós-graduação em ciência do esporte da UFMG e psicólogo do esporte da seleção brasileira de rúgbi paralímpico, Franco Noce é graduado em Educação Física e em Psicologia, tem mestrado em ciência do esporte e doutorado em psicobiologia, e foi atleta e treinador de voleibol. Ele começou na psicologia do esporte há 25 anos, com o professor Dietmar Samulski, autor de vários livros e grande referência da área no Brasil.

Acompanhando Dietmar, Franco começou a trabalhar com psicologia de atletas no voleibol, com a seleção brasileira masculina e feminina, nas categorias de base, infanto-juvenil e juvenil. Passou por uma longa lista de modalidades esportivas até chegar à seleção brasileira de rúgbi paralímpico. Franco começou a acompanhar a preparação da seleção brasileira de rúgbi-quad em 2016, na reta final da preparação para os jogos Rio 2016, convidado após o insucesso da equipe no ParaPam de Toronto. Será a primeira vez que a seleção brasileira de rúgbi-quad disputará uma Paralimpíadas.

Franco explica que um dos principais desafios psicológicos que um atleta de nível olímpico enfrenta é a ansiedade. “São quatro anos de preparação e o atleta não sabe se vai ter outra oportunidade de disputar uma olimpíada ou paralimpíada, isso gera ansiedade” comenta e compartilha uma analogia que usa sempre com seus atletas: “Pense na mente como um freio de mão. Se está tudo bem, é igual andar com o carro com o freio de mão livre. Se está cheio de ansiedade e expectativa, será como dirigir um carro com o freio de mão puxado”.

Para ter sucesso no alto rendimento de qualquer modalidade, Franco ensina que é preciso equilibrar três variáveis importantes, que ele chama de pirâmide do sucesso. São elas:
1. Motivação – É o motor do processo. É o que permite o atleta se aproximar do seu limite e expandi-lo com muito trabalho.
2. Aptidão – são qualidades e características que tornam o desempenho de uma pessoa mais fácil e natural.
3. Oportunidade – de aprender, treinar e se desenvolver como atleta, ter a possibilidade de subir até o topo da pirâmide.

“Ser um atleta profissional no Brasil é muito difícil. É necessário um grande esforço para ser um praticante de alto rendimento em um esporte e, no nosso país mais ainda, pois existe muita dificuldade de apoio”, afirma Franco e conta que “observo em algumas modalidades que não tem tanto apoio financeiro, muitas vezes, o atleta da seleção principal ainda precisa trabalhar com outra atividade, além de se dedicar aos treinamentos”. Ele comenta que, para o profissional, parte da motivação vem da renda que ele tem em cima da prática esportiva e dos seus resultados.
No entanto, Franco acredita que para o atleta de alto rendimento a motivação mais importante é outra: “se ele pratica tanto aquele esporte, é porque gosta daquela modalidade” e ensina que uma das formas de se manter um praticante de alto rendimento motivado é estabelecer metas compatíveis com a sua capacidade e que mudem à medida que o atleta se aperfeiçoa. “Se a situação é muito fácil, torna-se apática para o atleta e se for extremamente difícil, de forma que ele não consiga atingir a meta, ele se desmotiva e fica frustrado” explica e termina com uma dica de motivação que serve para todos, atletas ou não: “desenvolva metas que sejam atrativas e compatíveis com a sua capacidade de alcançá-las”.

*Rúgbi em cadeiras de rodas ou rúgbi-quad é um esporte paralímpico desenvolvido por atletas tetraplégicos, em 1977, no Canadá. Assim como no rúgbi convencional, a modalidade para cadeirantes tem muito contato físico. São quatro atletas em cada equipe, que contam ainda com oito reservas cada. Os jogos ocorrem em quadras com tamanho similar à quadra de basquete e têm quatro períodos de oito minutos. O objetivo é passar da linha do gol com as duas rodas da cadeira e a bola nas mãos.
(Fonte: Brasil2016.gov.br)


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