O Início de uma Grande Jornada

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Associação luta contra uma das principais causas de morte e sequelas no mundo e no Brasil

Mesmo sendo a doença que mais mata e causa sequelas no Brasil atualmente, com 100 mil pessoas por ano vítimas de AVC, 80% da população brasileira não sabe o que é Acidente Vascular Cerebral, os sintomas e as causas.

“A falta de informação para reduzir as sequelas e aumentar a qualidade de vida de vitimados, nos levou à criação da AMAVC – Associação Mineira do AVC. É impressionante o número de profissionais da área da saúde que não sabem nada sobre o AVC”, escreveu Renato Mariz Gonçalves em seu livro “A leveza que a vida tem e o AVC”, lançado ano passado. Ele está tetraplégico e escreve com dificuldade, com o auxílio de um mouse ótico, que não funciona perfeitamente para ele que também ficou estrábico após o acidente vascular cerebral isquêmico que sofreu.

Renato teve o derrame cerebral na véspera do carnaval de 2011, aos 44 anos, no auge de sua carreira profissional como executivo de uma grande multinacional. Mesmo sendo uma pessoa com acesso à informação e atendimento particular de saúde, demorou mais de três dias para receber um diagnóstico, que só veio após ser transferido para São Paulo. Nenhum dos dois hospitais por onde ele passou em Minas foram capazes de identificar que os sintomas de perda de força nas pernas, dor de cabeça súbita e vômitos, fala confusa e enrolada indicavam um AVC, ou de realizar mais exames de ressonância magnética necessários nesses casos.

Motivados a trabalhar para diminuir os altos índices de sequelas e mortalidade decorrentes do AVC em Minas Gerais, em agosto de 2012, Renato, sua esposa Sandra Issida Gonçalves e um grupo de pessoas engajadas com a missão, criaram a AMAVC. “Outro objetivo é o de ajudar o imenso número de vítimas espalhadas por aí. Apesar de trazer mineira no nome, essa associação está ajudando vítimas e suas famílias por todo o Brasil”, explicou Renato.

Além de marcar presença em importantes congressos de cardiologia e neurologia pelo país, a AMAVC trabalha para conseguir pelo SUS o anticoagulante usado no tratamento dos pacientes de derrame cerebral e para que o Protocolo do AVC aprovado em 2012 pelo Ministério da Saúde seja efetivamente aplicado na rede de saúde particular e pública.

“É impressionante o número de profissionais da área da saúde que não sabem nada sobre o AVC”

A associação também desenvolveu dois kits. Um para unidades de saúde pública com informações sobre o AVC para orientação dos profissionais de saúde. Outro para os pacientes e familiares, sobre cuidados pós-AVC. Este kit contém campainha sem fio, relógio de mudança de decúbito, planilha de controle financeiro, prancha de comunicação em acrílico, absorvente masculino e um lençol especial para pacientes acamados.

Desde 2012, em 29 de outubro, quando é comemorado o Dia Mundial do AVC, a organização promove, em praças e locais com grande circulação de pessoas, ações como:

  • palestras;
  • aferição de pressão arterial e glicemia com a presença de ambulância para socorro imediato de todos aqueles que apresentam níveis alarmantes;
  • informações sobre direitos das pessoas com deficiências;
  • distribuição de material informativo sobre prevenção e sintomas da doença;
  • shows;
  • ação nos estádios de futebol de Minas Gerais com apoio da CBF e dos times mineiros da série A do campeonato brasileiro que entram em campo com faixas da campanha de combate ao AVC antes de iniciarem as partidas.

Atualmente, a AMAVC trabalha em seu mais ambicioso projeto, a construção em Minas Gerais de um centro especializado de reabilitação do AVC para atendimento também pelo SUS. Sandra, presidente da associação, descreve que as características principais do ambiente serão amplitude, acessibilidade, conforto e comunicabilidade. “As energias deverão fluir e aquecer o ambiente com muita luz e positividade”, projeta Sandra e comenta que aguarda a resposta da prefeitura de Lagoa Santa sobre um terreno para a construção na cidade, que é próxima da capital e dos dois principais aeroportos do estado, da Pampulha e de Confins.

Conheça mais sobre a AMAVC


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