O esporte de alto rendimento e as leis de incentivo

Segundo clube esportivo e social a se instalar em Belo Horizonte, em 1940, o Olympico Club se dedica ao treinamento de atletas para alto desempenho em competições esportivas desde então. Rafaela Almeida, coordenadora de marketing do clube, conta que hoje as modalidades em que competem são: basquete, natação, futsal e vôlei. “Mas o clube já teve até mesmo uma equipe de remo no passado”, comenta.

Em 2011, o Olympico Club obteve aprovação para o seu primeiro projeto na lei federal de incentivo ao esporte. Chamado “Excelência no Esporte”, começou em outubro de 2012. Desde então o clube possui projetos aprovados nas leis de incentivo ao esporte federal e mais recentemente também na estadual.

Cássio Gustavo de Castro, consultor de projetos do Olympico, explica que o clube possui um parceiro com expertise em gestão de projetos em leis de incentivo, o que proporciona tranquilidade quanto o processo. “Dentro do Olympico temos ainda um setor, ligado à direção, que cuida da gestão de todos os projetos. O aprendizado até agora foi principalmente de domínio da legislação e de construir de forma planejada os processos internos”, conta Cássio.

Atualmente, são 354 atletas entre 10 e 19 anos que treinam todos os dias, no horário extraescolar, utilizando a infraestrutura do clube de ginásio poliesportivo, quadras, piscina semi-olímpica, sala de recuperação física, sala de fisioterapia, sala de musculação, espaço de atendimento psicossocial, dentre outros. Todos recebem treinamento técnico, tático e físico, pois contam com acompanhamento de psicólogos, assistentes sociais, fisioterapeutas e preparadores físicos, sem nenhum custo para o atleta. “O Olympico propicia a seus atletas, de forma gratuita, a participação nas principais competições metropolitanas e estaduais. Todos recebem uniformes de treinos e jogos, participam de oficinas, palestras educativas e os atletas que estudam em escolas públicas, ganham vale-transporte para garantir sua presença nos treinos”, explica Rafaela.

“Entendemos que para além da formação de atletas, temos um papel na formação cidadã. O esporte propicia disciplina, respeito ao próximo, atitudes cívicas, senso de coletividade, inserção social, zelo com a saúde, entre outros benefícios que se somados auxiliam na construção dos valores de um cidadão de bem”, ressalta Rafaela sobre o trabalho de desenvolvimento esportivo nas categorias de base que o clube realiza. “60% dos atletas vivem alguma situação de vulnerabilidade social. Por meio do esporte, além de potencializar o nível competitivo estadual e nacional, oferecemos oportunidade para crianças e jovens se desenvolverem de forma plena e saudável, mais conscientes de seus direitos e deveres”, completa a coordenadora de marketing.

Mesmo usando leis de incentivo em apenas cinco dos seus 76 anos de dedicação ao esporte, os colaboradores do time admitem ter ciência de que tais leis são imprescindíveis hoje para a sobrevivência do esporte em nosso país. “Elas possibilitam a melhoria em todos os quesitos vinculados ao desporto de rendimento. A principal dificuldade está no momento econômico, que está causando redução no aporte das empresas parceiras”, comenta Cássio.

É ele quem ensina que a principal especificidade em um projeto de esporte de alto rendimento é o planejamento para atender as necessidades do atleta. “Deve impactar na melhoria de seus resultados e na qualidade de sua rotina de treino”, argumenta e sugere como diferencial criar um projeto transparente e atrativo para os parceiros.

A dica dos profissionais do Olympico Club é de buscar manter sempre a melhor relação possível em suas alianças intersetoriais. Com o investidor, contam que o objetivo é torná-lo parceiro na missão do projeto, assumindo um papel ativo na dinâmica da transformação esportiva e social dos beneficiados. “Convidamos nossos financiadores para que acompanhem as ações de perto e nos auxiliem nas decisões de onde será aplicado o recurso. Buscamos a valorização dos parceiros também oferecendo oportunidades de mídias e de conceituação da marca”, esclarece Rafaela e destaca que a transparência na gestão de todo o projeto é fundamental na relação com empresas e governos.

Cássio aponta avanços nas leis de incentivo desde que começaram a usá-las, principalmente na burocracia dos processos. Para ele, acabar com papéis e tratar os processos prioritariamente de forma eletrônica é de grande valia e,nota que, faltam capacitações para as empresas financiadores a fim de divulgar e esclarecer sobre as legislações de incentivo ao esporte.

Paixão pela piscina
piscina
Ela tem apenas 11 anos e já ostenta a liderança do ranking nacional de natação na categoria Petiz I. Em 2016, a atleta do Olympico Club, Ariana Martins Gomes, está se destacando em todas as competições que participa e conquistou o campeonato mineiro nas modalidades 50 Livre; 200 Medley; 100 Borboleta e 100 Peito. Ela é uma das integrantes da equipe de natação do projeto Excelência no Esporte, do Olympico Club, viabilizado pela Lei Estadual de Incentivo ao Esporte.

Ariana descobriu sua paixão pela piscina quando, aos cinco anos, teve uma forte crise de bronquite e seus pais foram orientados pelos médicos a colocá-la na natação. Com oito, entrou para o Olympico, estimulada por seu professor da escolinha. A atleta petiz treina hoje cinco vezes por semana, no mínimo duas horas por dia. Recebe ainda acompanhamento médico e nutricional e em sua coleção de medalhas já ultrapassou há muito tempo as sete dezenas. Seu maior fã e torcedor é o seu pai, o taxista Wilson Martins de Almeida, que sonha em ver a filha na seleção brasileira.


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