O empoderamento feminino a partir do enfrentamento à violência contra as mulheres

Brasil é o quinto país no ranking mundial de crimes contra a mulher. Desde a escuta até o abrigamento, instituições buscam diminuir esse número alarmante

Fotos: Maxwell Vilela

“Mesmo assim pode entrar que é tempo ainda
Ah, benvinda, benvinda, benvinda
Ah, que bom que você veio, e você chegou tão linda
Eu não cantei em vão
Benvinda, benvinda, benvinda, benvinda, benvinda”

O trecho da música Benvinda, de Chico Buarque, remete ao trabalho realizado pelo Benvinda – Centro de Apoio à Mulher. Não por acaso, o nome foi escolhido justamente pela letra da música e também por remeter à palavra bem-vinda.

Criado em 1996, o Centro é fruto de um movimento histórico das mulheres contra a violência. “Existia uma demanda de espaço de atendimento, para atuar na escuta especializada, acolhimento à mulher, entre outros pontos. O Benvinda chegou para preencher essa lacuna”, explica Andréa Maria de Oliveira Chelles, analista de políticas públicas da Coordenadoria Municipal dos Direitos da Mulher – COMDIM, da Prefeitura de Belo Horizonte.

O Benvinda é o serviço de ponta da Coordenadoria, pois atende as mulheres que já se encontram em situação de violência. E, em alguns casos, elas são encaminhadas para a Casa Abrigo Sempre Viva. Inaugurada em 1996, a casa atendia Belo Horizonte, Betim, Contagem e Sabará. Com o passar do tempo, houve demandas de outros lugares e a Casa saiu da base municipal, se tornando consórcio. Atualmente, o Sempre Viva atende oito municípios.

Além disso, a COMDIM trabalha em dois outros eixos que são “Formação e Educação Política em Direitos Humanos e Cidadania” e a “Inclusão Social Produtiva”. Neste primeiro, a intersetorialidade está presente a partir do momento que outros órgãos da prefeitura, como saúde e educação, são chamados para discutir o problema e realizar campanhas, oficinas, debates e palestras. Já a inclusão social é uma oportunidade para o empoderamento feminino.

“Tudo é feito nas lógicas da economia solidária e da inclusão econômica e social. São desenvolvidos projetos e acompanhamos os grupos de artesãos”, diz a analista de políticas públicas.

Ressalta que o Benvinda é o serviço de ponta da Coordenadoria, pois atende às mulheres que já se encontram em situação de violência. E, em alguns casos, elas são encaminhadas para a Casa Abrigo Sempre Viva. “Inaugurada em 1996, a casa atendia Belo Horizonte, Betim, Contagem e Sabará. Porém houve demandas de outros lugares e a Casa sai da base municipal, se torna consórcio e hoje atende oito municípios”, ressalta.

Em Belo Horizonte, há outros espaços para acolhimento de mulheres em situação de violência. Um caso de feminicídio em cinco anos, na Vila Eliana Silva, no Barreiro, fez com que um grupo de mulheres do Movimento de Mulheres Olga Benário reivindicasse uma casa abrigo. “Fizemos uma ocupação no dia oito de março de 2016, protestando contra a forma de violência que a mulheres enfrentam em nosso país. Ocupamos o prédio da Engenharia da UFMG, localizado na rua Guaicurus, no centro da capital. De lá, saíram importantes encaminhamento, discussões”, explica Indira Xavier, membro da coordenação nacional do Movimento de Mulheres Olga Benário.

Desde o primeiro dia da ocupação, chegaram outros casos de violência, sendo necessário o abrigamento das mulheres. A ocupação permaneceu por três meses no centro de Belo Horizonte e o movimento ganhou uma sede que foi transformada na Casa de Referência Tina Martins. “Atendemos mulheres de Belo Horizonte, interior de Minas e até de outros estados com base na formação política, acolhimento e encaminhamento para outros serviços e instituições que fazem parte da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres”, diz a Indira, também coordenadora da Casa de Referência.

As mulheres só se desligam da Tina Martins quando são estabelecidas profissionalmente, recuperam a autoestima e sentem condições de retomar a vida… Agora sem violência.


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