Norte de Minas tem cultura destacada por projeto social

Trabalho infantil nos lixões do Norte de Minas Gerais foi erradicado com série de projetos do Ceduc Virgilio Resi

Fotos:   Geânio dos Santos Resende e Ellen Juliana Alves Dias

Ações desenvolvidas pelo Ceduc Virgilio Resi:

  • incubadora de economia solidária;
  • rede de colaboradores;
  • artesanatos no mercado;
  • marca referência para o artesanato local;
  • oficinas de terapia comunitária para apoio às famílias, de gestão financeira, mercadológica e processos internos e de fortalecimento de vínculos;
  • consultoria de desenvolvimento de produto.

Erradicação do trabalho infantil, empoderamento feminino, valorização cultural. Essas são algumas das conquistas de projetos sociais realizados pelo Ceduc Virgilio Resi no Norte de Minas Gerais. As ações iniciaram em 2008 com o projeto “Reciclando Oportunidades para as Crianças”. A iniciativa permitiu um conjunto ações que já atenderam, até o momento, 370 famílias diretamente e 4500 pessoas indiretamente.

Segundo os dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), há crianças e adolescentes trabalhando em lixões de aproximadamente 3.500 municípios brasileiros, sendo que 18% estão localizados na região Sudeste. O trabalho realizado contribuiu para que as situações irregulares nos lixões fossem adequadas em 18 municípios do Norte do Estado. “Foi identificado alto índice de exploração do trabalho infantil”, ressaltou Elenice Matos, diretora da instituição.

Diante desse quadro, o Ceduc Virgilio Resi percebeu que retirar as crianças da situação de exploração não era suficiente. “Foi identificada a extrema pobreza das suas famílias e entendemos que essas crianças eram exploradas para complementarem a renda família. Era preciso gerar renda para essas famílias”, explica a diretora.

A partir deste primeiro projeto, foram desenvolvidas outras iniciativas (vide quadro) que contribuíram para os desenvolvimentos da cultura local e da comunidade. Os projetos resultaram na criação de um artesanato rico culturalmente e diferenciado, por retratar cenas do cotidiano simples do sertanejo, da fauna e flora locais. O material produzido foi inserido no mercado de forma sustentável e competitiva, possibilitando o desenvolvimento humano por meio da geração de renda.

Desde sempre, Florisvalda José da Silva é artesã na cidade de Manga, no Norte de Minas. De acordo com ela, o artesanato não é valorizado no interior. “Muita gente tem vergonha de apresentar seus produtos. Quando o Ceduc chegou aqui, mostramos nosso artesanato e nossa equipe, formada por profissionais de diversas áreas, e eles se interessaram. A partir daí, tivemos assessoria na parte burocrática, controle de mercadorias, design para melhorar os produtos, corrigindo as imperfeições”, explica Florisvalda. Ela ressalta que muitas famílias vivem única e exclusivamente do artesanato no Norte do Estado. “Os artesãos aprenderam a valorizar o próprio trabalho e perdemos o medo de expor nossos produtos”, diz.

Essa questão do resgate da cultura local fez com que as vendas aumentassem significativamente. “As artesãs são convidadas para exposições em feiras nacionais. Algumas peças foram comercializadas fora do Brasil. Além disso, elas saíram da comunidade, algumas pela primeira vez, para participar de cursos e outros eventos”, finaliza Elenice Matos.

Sobre o Ceduc Virgilio Resi: fundado por um grupo de pessoas com grande experiência em desenvolver projetos para qualificação profissional em áreas de vulnerabilidade social, o Centro completa 12 anos em julho. Iniciou as atividades com cursos de curta duração voltados, principalmente, para adolescentes e jovens. Atualmente, atende também adultos que buscam seu lugar no mundo do trabalho. As ações da Instituição são desenvolvidas em dois eixos: juventude e trabalho, na região metropolitana de Belo Horizonte, trabalho e desenvolvimento comunitário, no Norte do Estado.

Projetos realizados no Norte de MG

  • Reciclando Oportunidades para as Crianças
  • Projeto Reciclando Oportunidades – Gerando Trabalho e Renda – criou uma rede de artesanato no Norte de Minas.
  • Incubadora de Empreendimentos Econômicos Solidários – Isonoma – fomentou a expressão do trabalho artesanal e, a partir dessa iniciativa, foi criado o Centro de Artesanato de Economia Solidária (Caes) – Mãos do Norte MG.
  • Mãos que se Apoiam – busca a construção da sustentabilidade, dignidade e renda das famílias artesãs do Norte de Minas Gerais.


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Back to Top ↑