NINGUÉM CHEGA PRONTO E NINGUÉM SAI O MESMO

Aconteceu no palco do Cine Theatro Brasil Vallourec, em Belo Horizonte, o espetáculo que encerrou o ano de 2015 nomeado “As Mais Belas Diferenças”. Não por acaso, o tema é a base do trabalho que vem sendo realizado por profissionais e especialistas em educação do Projeto Social Corpo Cidadão, uma Organização da Sociedade Civil criada em 2000 pelo Grupo Corpo Companhia de Dança, e que promove intervenções artísticas em espaços urbanos e nas escolas. Até o ano passado, a instituição atendia a 725 crianças e jovens estudantes da Rede Municipal de ensino de Belo Horizonte, Lagoa Santa e Vespasiano, e 400 monitores do Projeto Escola Integrada, da Prefeitura de BH.

O Corpo Cidadão tem como objetivo contribuir para o desenvolvimento das potencialidades humanas por meio da experiência da arte e da cultura, valorizando o diálogo e o intercâmbio de saberes, deveres e sonhos. O coordenador
de Projetos, Fabrício Belmiro, é quem se certifica da qualidade artística e garante a aplicação da metodologia em todas as unidades. “Como estive na
base, tenho boas condições em compreender mais o todo da instituição”, afirma Belmiro.

O primeiro desafio de Belmiro aconteceu em 2009, quando ingressou na equipe como educador de Artes Visuais. Em 2013, ele foi convidado para assumir a dr-02-2016coordenação de Unidade na qual era responsável por um núcleo contendo três educadores, um assistente de coordenação e cerca de 100 crianças. Foi neste período que Belmiro se sentiu mais próximo das famílias e percebeu que o comportamento das crianças é reflexo da relação em casa. Percepções como essa são compartilhadas com toda a equipe, pois é preciso compreender as individualidades. “Acreditamos na horizontalidade das relações e, para que isso aconteça no dia a dia, todas as atividades se iniciam com a roda, isso faz parte da metodologia. Todos têm voz e vez. Ninguém sabe mais, temos sabedorias diferentes. Acho que isso diz tudo”, relata.

No ano seguinte, Belmiro assumiu a Coordenação de Projetos da associação e passou a ter como desafio mostrar ao Estado e à sociedade civil o quão importante é o investimento em pessoas. Para ele, a arte cumpre um papel decisivo no processo de formação individual e coletivo. “Empoderar
nossas crianças e jovens, fomentar a autonomia, auxiliar no conhecimento próprio e dar acesso aos bens culturais são objetivos muito claros para nós
e, os desafios que surgem dessa proposta, nos tornam mais fortes e sagazes”, afirma.

Com uma equipe diferenciada composta por uma diretoria estatutária e seus respectivos suplentes, todos são guiados pelo amor e dedicação. O projeto social oferece aulas de artes, de teatro, de música e de dança contemporânea e dança urbana. Há ainda o programa de voluntariado, formado por Profissionais de várias áreas, inclusive em psicologia e medicina. Para ser parte da equipe é preciso fazer uma visita às unidades do projeto (espaços onde se desenvolvem as oficinas e demais ações) e avaliar, em conjunto com a instituição, a área em que o profissional poderá atuar. Esperança, empatia e vontade de aprender estão entre os requisitos.

“Acho importante compreender que um projeto social não é um projeto assistencialista e sim um projeto de vida. Não é algo que você faz para que sua consciência se abrande, mas algo que você faz porque tem o desejo de transformar a sociedade. Mas transformar junto, compreendendo que, que nos une, são as nossas mais belas diferenças e, sobretudo, ter o desejo de uma sociedade mais justa, mais humana, com leis e direitos garantidos para todos”, conta Belmiro.

Em 2016, o Corpo Cidadão renova as parcerias e começa a atender cerca de 50 alunos do programa Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Escola Municipal Deputado Milton Salles, do Bairro Jardim América, em Belo Horizonte. Outro enfoque está nos jovens bailarinos, participantes dos Grupos Experimentais, que vêm sendo formados pela própria instituição. São oferecidas oficinas de dança e cursos de formação à crianças a partir dos seis anos, adolescentes, jovens e educadores de Belo Horizonte e região metropolitana. É preciso passar por um teste denominado audição, pois um dos requisitos para participar dos grupos é ter alguma habilidade na dança. Esses jovens, inclusive, preparam junto com os educadores, as apresentações que são realizadas durante o ano. “São jovens talentosos que passam por um processo de seleção e, uma vez dentro do projeto, estarão mais preparados para o mercado de trabalho”, conclui Belmiro. Os processos de seleção são anunciados nas redes sociais do Corpo Cidadão. Para conhecer mais sobre o projeto acesse www.corpocidadao.org e curta a página www.facebook.com/corpo.cidadao.

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