Movimento Mamamiga pela Vida

Tecnologia ensina mulheres como detectar precocemente o câncer de mama

revista-valor-compartilhado-terceiro-setor-mamamiga-1Apartir de uma pesquisa comportamental com mulheres sobre a prevenção do câncer de mama, a Associação de Prevenção do Câncer na Mulher – ASPRECAM verificou que muitas deixavam de fazer o autoexame de mama por não saber o que procurar. “Observamos também que faltava uma ferramenta que auxiliasse na capacitação de profissionais de saúde, principalmente da rede SUS que cobre cerca de 100 milhões de pessoas no país. Por meio de novas pesquisas, desenvolvemos um simulador da glândula mamária feminina com as principais alterações que podemos encontrar nas mamas por meio do exame feito com as mãos”, explica Thadeu Rezende Provenza, médico mastologista e fundador da ASPRECAM.

Esse simulador de glândula mamária feito de espuma e uma película de silicone fixado em uma prancheta de poliestireno com informações didáticas sobre as alterações que podem ser apalpadas durante o exame, ganhou o nome de Mamamiga. É um produto patenteado, vencedor de vários prêmios de tecnologia social e reconhecido pelo Instituto Nacional do Câncer – INCA. Mais de 23 mil unidades da Mamamiga já foram vendidas, com renda revertida para a ASPRECAM, representando hoje 80% do orçamento da associação.

Provenza conta que atualmente já estão com três versões da Mamamiga e são instaladas normalmente em lugares públicos como farmácias, clínicas médicas, banheiros femininos, entre outros. O mais novo modelo é o Mamamiga Tech, uma versão multimídia, desenvolvida recentemente por uma incubadora do CEFET. “Além do tato, conseguimos visualizar o que estamos apalpando e uma assistente virtual explica o que estamos tocando. Também traz outros serviços e informações de promoção da saúde da mulher”, esclarece o médico.

revista-valor-compartilhado-terceiro-setor-mamamiga-2Para colocar a prevenção do câncer de mama na agenda de discussões dos setores público e privado, promover a Mamamiga e conscientizar a população, principalmente feminina, sobre a necessidade de se detectar a doença em estágio inicial, foi lançado pela ASPRECAM, em outubro de 2014, o Movimento Mamamiga pela Vida. Segundo dados do Movimento, no Brasil, 12.000 mulheres morrem por ano de câncer de mama e muitas destas vidas poderiam ser preservadas se houvesse um trabalho preventivo intensificado.

“No Brasil, 12.000 mulheres morrem por ano de câncer de mama”

A cantora Paula Fernandes participa do Movimento ajudando a promover a Rede de Pontos de Prevenção, que é a instalação da Mamamiga em locais públicos como farmácias e banheiros femininos de shoppings, restaurantes e clínicas médicas.

O Movimento ainda busca viabilizar, com o governo de Minas Gerais, a criação do Núcleo de Promoção da Saúde da Mulher: um centro gerador de conhecimento sobre saúde da mulher, conectado à rede de ensino à distância da Universidade Aberta de Minas Gerais – UAITEC. “Assim, poderemos conectar e capacitar profissionais do SUS e voluntários em vários municípios mineiros. É um projeto estruturador para a saúde da mulher, pois além do câncer de mama, existem outros tópicos que podemos tratar, como violência contra a mulher, infertilidade, sexologia, entre muitos outros”, ressalta Provenza. Atualmente, o principal foco da organização social é implantar o Núcleo.

Thadeu Provenza, médico e fundador da ASPRECAM

Para conseguir realizar a Mamamiga, a ASPRECAM contou com a parceria de empresas fabricantes de produtos para a área médica na fase de pesquisa e desenvolvimento e também na fase de produção. “O governo ainda tem que mostrar sua participação no que diz respeito ao investimento na saúde da mulher, que até agora não vimos acontecer”, afirma Provenza e completa: “Nossa ação política há 30 anos é aperfeiçoar a capacidade pública instalada para prevenção do câncer na mulher. As nossas tecnologias sociais qualificam e aumentam o acesso ao diagnóstico e tratamento precoce do câncer de mama”.


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