Federação das APAES de Minas Gerais

Oficina sobre Centros Especializados em Reabilitação.

Oficina sobre Centros Especializados em Reabilitação.

Rede mineira em prol das pessoas com deficiências é formada por 455 organizações e é a maior do Brasil.

Eduardo Barros Barbosa, presidente da Federação das Apaes de Minas Gerais – Feapaes-MG, após contar a história de como surgiu o movimento das Apaes – Associação de Pais de Excepcionais, concluiu: “Hoje somos o maior movimento social do mundo pela dignidade e inclusão das pessoas com deficiência”. Antes, contava como um grupo de pais do Rio de Janeiro inconformado com a cultura dominante na época de trancafiar as pessoas com deficiência se uniu para buscar alternativas de escolaridade e atendimento para os seus filhos. Eles criaram em 1954 a primeira Apae. Dali em diante, o movimento apaeano vem crescendo e já atende cerca de 250.000 pessoas em todo o Brasil. São mais de duas mil Apaes, divididas em 23 federações estaduais.

A ideia de congregar as Apaes em uma federação nacional nasceu no início da década de 60, quando realizaram o primeiro encontro de Apaes do país, em São Paulo. Barbosa explicou que naquela época era muito difícil o acesso à informação e um dos objetivos da federação desde o seu nascimento é de buscar e compartilhar conhecimento. “Já havia a percepção de que não bastava cada grupo lutar em seu município para alcançar direitos para os seus filhos. Precisavam de um movimento capaz de influenciar a legislação e as políticas públicas”, argumentou Barbosa e resumiu: “A rede nacional começou com dois grandes objetivos: divulgação de informação e interlocução com o Estado para a criação e avanço de leis e políticas públicas para pessoas com deficiência que eram praticamente inexistentes na época”.

O crescimento foi tal que em 1992 decidiram que era hora de criar as federações estaduais das Apaes, de forma a garantir a orientação das filiadas em cada estado. O Brasil é um país com 24,5 milhões de pessoas com deficiência, 14,5% da população segundo o Censo IBGE de 2000. Do total de pessoas com deficiências 8,3% têm deficiência intelectual.

Barbosa foi o primeiro presidente da Feapaes-MG e lembra-se que tinham como foco organizar a rede no estado e ampliar o número de Apaes mineiras. Atualmente, são 455 Apaes e oito instituições coirmãs, organizadas em 35 regionais no estado. Os desafios, segundo Barbosa, aumentaram: “A federação tem um papel político e articula com autoridades estaduais, se fazendo presente em conselhos de direitos. Também é responsável por assistência jurídica e técnica para as Apaes e por promover os eventos estaduais, como congressos, olimpíadas e festivais”.

“Somos um provocador do estado para os avanços nos direitos das pessoas com deficiência”

As videoconferências da Feapaes-MG são transmitidas para todo o estado.

As videoconferências da Feapaes-MG são transmitidas para todo o estado.

UNIAPAE-MG

É com satisfação que Barbosa introduz a Uniapae-MG na conversa, a universidade corporativa da rede Apae mineira. “Essa iniciativa foi concebida para que a gente pudesse ter uma linha de atuação e de formação das Apaes”, esclarece e completa que os cursos são oferecidos por plataforma de Educação à Distância (EaD) estão disponíveis para pessoas de todo o Brasil, associadas a Apae ou não, no website
www.uniapaemg.org.br.

A Uniapae-MG, em 2014, apenas no curso à distância Atualização em Deficiência Intelectual: Concepção, Avaliação e Aprendizagem,  contou com 2.103 alunos inscritos. Em 2015, além de relançarem este curso, foram abertos mais dois – Atualização em Política de Assistência Social: Gestão de Entidades Prestadoras de Serviços Socioassistenciais e Tecnologias Assistivas: Favorecendo a Aprendizagem e a Inclusão Social da Pessoa com Deficiência. Barbosa conta que as propostas de cursos são organizadas em função das necessidades que aparecem, principalmente quando há uma mudança de política pública que afeta as organizações. “Agora, temos o Sistema Único de Assistência Social (Suas) e precisamos capacitar profissionais e dirigentes para organizar o serviço de assistência dentro da lógica da política nacional”, explica.

Além do conteúdo aberto para todos, a Uniapae-MG produz oficinas, videoconferências, cursos presenciais e seminários exclusivos para a rede de Apaes do estado. Entre o conteúdo exclusivo está o Sistema Integrado de Gestão de Apaes (SIGA), um instrumento de capacitação prático com objetivo de promover o intercâmbio de boas práticas entre as Apaes. Hoje o SIGA conta com 24 programas nas áreas de educação, saúde, avaliação multidimensional, entre outros.
As videoconferências são transmitidas para todo o estado direto do Centro Mineiro de Tecnologias Assistivas do polo da Universidade Aberta e Integrada (UAITEC), em Pará de Minas. Este ano, já aconteceram três videoconferências com os temas: Cadastramento das Apaes no Suas, Organização dos Serviços Especializados em Reabilitação da Deficiência Intelectual (SERDI) e Sistema EducaCenso.

Barbosa enfatiza ainda o foco na família. “Temos um programa chamado Escola de Pais, com duração de um ano para prepará-los a descobrir a si mesmos no contexto da deficiência de seus filhos; conhecer o movimento Apae em que seus filhos estão incluídos de forma a se engajarem também na associação; saber de políticas públicas, leis e como ter acesso aos serviços públicos, para dar a eles a possibilidade de lutar por seus filhos e dos outros, mas com conhecimento de causa”, descreve o presidente da Feapaes-MG durante entrevista, que aconteceu momentos antes da aula inaugural da Escola de Pais na Apae de Lagoa Santa.

Para o desenvolvimento da tecnologia educacional, a Feapaes-MG conta com o apoio da D&J Tecnologia Social e Educacional. Eduardo Marques Duarte, diretor executivo da empresa, usa um grupo americano chamado Association for Educational Communications and Technology para definir o trabalho que realizam: “tecnologia educacional é o estudo e a prática ética da facilitação do aprendizado e a melhoria do desempenho por meio da criação, do uso e da organização de processos e recursos tecnológicos”. Na prática, ele explica que trabalham para democratizar a tecnologia de ensino a distância para formação continuada, customizada, eficaz e inclusiva para organizações de Terceiro Setor, como a Feapaes-MG.

Ele iniciou seu relacionamento com o movimento apaeano ainda na década de 1990, quando foi psicólogo e diretor da Apae de Pedro Leopoldo. “Conheço, há muito, o trabalho que eles desenvolvem. Acredito no que é feito, tenho um carinho especial pelo esforço que todas as pessoas do movimento fazem por crianças, adolescentes e adultos com deficiências”, relata Duarte. Há mais de 10 anos ele e sua sócia Beatriz Gonçalves desenvolvem cursos à distância com a Feapaes-MG. “Criou-se um vínculo especial entre as pessoas envolvidas. Somos ouvidos na nossa expertise e muito respeitados. Em contrapartida temos nos dedicado intensamente ao sucesso. Definimos a Feapaes-MG como especial em nossos trabalhos, temos muita dificuldade em chamá-los de clientes por entendermos que somos, de fato, parceiros”, declara Duarte.

ALIANÇAS

Quando perguntado sobre a relação da Feapaes-MG com organizações de outro setores, Barbosa começou a resposta falando com entusiasmo do novo curso que estão para lançar em parceria com o Departamento de Psicologia da UFMG: “Estamos preparando um curso na área de Classificação Internacional de Funcionalidade, de treinamento de pais com uma metodologia desenvolvida como pesquisa na UFMG. O trabalho começou com a Apae BH e o resultado foi tão bom que estamos estendendo para toda a rede”.

Ele ainda cita a parceria entre a Federação e a Facisa, que é a instituição de ensino responsável por certificar os cursos da Uniapae-MG. “A secretaria de estado de saúde também é uma parceira, porque temos várias Apaes que atendem pelo SUS”, relata e completa: “A gente trabalha muito bem articulado”.

Para Barbosa, os direitos das pessoas com deficiência não podem ficar centrados em si, é preciso articulação com os diversos agentes e atores da sociedade. “Nós somos um provocador do estado para os avanços na construção desses direitos”, afirma e aproveita para fazer uma crítica ao poder público, principalmente municipal: “Muitas prefeituras consideram que a Apae tem que dar conta por si só da resolução das questões relativas às pessoas com deficiência e não como parceiras efetivas de trabalho. Assim, vemos muita ajuda e ajuda é quando pode, é quando quer. Falta uma tranquilidade de permanência dessas parcerias”.

SAIBA MAIS SOBRE OS CURSOS OFERECIDOS PELA FEAPAES-MG


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