Ed Marte se Consolida como Ativista Social em Belo Hotizonte

Formado em relações públicas, teatro e artes visuais, Ed Marte é especialista em arte e cultura. Conheça um pouco mais dos projetos do ativista social

Foto: Lucas Ávila

“Não me incomoda o que os outros pensam sobre o meu modo de vestir. Acredito que o corpo é livre pra usar o que quiser e que as roupas não têm gênero.”

Quando criança, Edmar Pereira tinha um sonho: ser cantor, compositor, ator de novelas e até mesmo uma celebridade popular. Hoje é conhecido e reconhecido como Ed Marte. O nome artístico e social surgiu em 2010, no movimento Praia da Estação, do qual ele foi um dos idealizadores. Logo que recebeu essa denominação, Ed Marte já se cadastrou no facebook.

Artista visual, queer (pessoa que não segue o padrão da heterossexualidade ou do binarismo de gênero), ativista social, educador popular, mobilizador social. Nas últimas eleições municipais, foi candidato a vereador de Belo Horizonte e recebeu 2.190 votos.
Formado em relações públicas, teatro e artes visuais, Ed Marte é especialista em arte e cultura. E essa formação é o que dá o tom em sua vida. Ativista da arte e da cultura, já se envolveu com ações socioeducativas, formação artística e cultural em diversas ONGs de vários bairros, vilas e favelas de Belo Horizonte.

Atualmente, é responsável pela Organização Não Governamental – ONG Favela é Isso aí.

Valor Compartilhado: Qual o trabalho da ONG Favela é Isso aí?

Ed Marte: a Favela é Isso Aí é uma associação que surgiu como fruto do Guia Cultural de Vilas e Favelas, idealizado pela antropóloga Clarice Libânio e publicado em agosto de 2004. O Guia apontou que a arte nas vilas e favelas desempenha papel fundamental na elevação da autoestima, inclusão social e combate à violência.
A organização foi criada com o objetivo de apoiar e divulgar os trabalhos dos artistas e grupos culturais das vilas e favelas, através de várias ações realizadas por projetos de incentivo à cultura. A ONG tem também o intuito de contribuir para a redução da discriminação em relação aos moradores de vilas e favelas, promover geração de renda para os artistas, ajudar a prevenir e minimizar a violência, melhorar as condições do fazer artístico e acesso ao mercado cultural. Investimos na produção de matérias de divulgação e nas atividades junto à mídia.

VC: fale um pouco dos trabalhos nos projetos sociais em BH.

Ed Marte: comecei a trabalhar como educador voluntário de teatro na obra social da Igreja São Lucas, na Vila Nossa Senhora Aparecida. Depois trabalhei no projeto Criança Esperança, no Aglomerado da Serra, também como educador de teatro. Em 2005, fui convidado pela antropóloga Clarice Libânio para fazer parte da ONG Favela é Isso Aí, onde trabalho em diversos projetos, como pesquisador e mobilizador social.

VC: por qual motivo se candidatou?

Ed Marte: sou um sonhador como milhares de pessoas que vieram para Belo Horizonte em busca de um lugar bom para viver e trabalhar. Aqui fiz muitos amigos e participo de muitos movimentos artísticos, culturais, sociais e políticos. Sou um ser do amor, da alegria para todos e quero uma cidade feliz e alegre. Esta é minha maneira de pensar e praticar a cidade cotidianamente e o que motivou amigos, lideranças sociais, culturais, políticas e artísticas a me convidar para disputar uma vaga como candidato a vereador. Convenceram-me que minha maneira de viver é mais concreta que qualquer discurso de “político tradicional” e que minha candidatura seria uma importante contribuição para a luta em prol da criação da cidade que queremos: bacana de se viver, que amplie mais as possibilidades de vida livre, do amor incondicional, sem preconceitos, integrada à natureza e fundada nos interesses coletivos e na democracia cidadã. Com humor, alegria e amor, tenho me entregado de corpo inteiro às recentes lutas sociais da população da capital, como as manifestações de 2013, a Praia da Estação, no renascimento dos blocos de carnaval e do movimento político-artístico-cultural que deságua na mobilização da população LGBTQI. Também estou engajado na luta por moradia e por um ensino que ofereça oportunidades iguais para todos, na busca de respeito aos direitos humanos e na defesa da arte e cultura plural e descentralizada. Por esses motivos e pela maneira ativa e amorosa que vivo a cidade de BH, movido pelo sonho de tornar nossa cidade um espaço fraterno, que devolva a todos os que moram aqui o prazer de viver, aceitei esse desafio de entrar na seara política, e me sinto na vitória coletiva por temos conseguido, através do coletivo Muitas e do Psol, eleger duas vereadoras maravilhosas, Áurea Carolina e Cida Fabella. Estamos juntos trabalhando na construção do mandato aberto coletivo na Gabinetona, com muitas outras forças de lutas da cidade.

VC: E o movimento praia da estação?

Ed Marte: a Praia da Estação surgiu em dezembro de 2009, quando o então prefeito Márcio Lacerda lançou um decreto proibindo eventos de qualquer natureza no espaço público da Praça da Estação. Alguns atores da cena da cidade fizeram um chamamento numa quinta à noite em meados de dezembro de 2009, para um evento com o nome “Vá de Branco” sugerindo conversar sobre o tal decreto. Dessas conversas entre as pessoas, em sua maioria ativistas de movimentos sociais e culturais da cidade, surgiu a ideia de organizar uma “praia” em janeiro de 2010 para conversar sobre o decreto e a forma de manifestar, construindo ideias coletivas sobre as questões públicas da cidade. Dessa confluência da praia surgiram vários desdobramentos de outros movimentos, como o movimento “Fora Lacerda”, “Bloco da Praia no carnaval”. A partir daí, a praia passou a ser um espaço lúdico de manifestação poética de corpos políticos da cidade. A praia é frequentada por uma diversidade de pessoas numa afirmação política de corpos sujeitos de suas histórias, identidades e desejos, sons diversos do carnaval, do forró, do funk, das periferias da cidade.

VC: o que é urgente na cidade? Por quê?

Ed Marte: acredito que a verdadeira democracia tem que ser real, com tomadas de decisões coletivas e assembleias periódicas para planejar as lutas do mandato coletivo e prestar contas nas ruas e nas redes. Precisamos lutar por uma cidade mais justa, onde as juventudes periféricas possam ser protagonistas de suas próprias histórias, com asseguração de seus direitos de ir e vir, circular pela cidade sem sofrer repressão policial. Lutar também por uma guarda municipal mais cidadã que apoie as pessoas e não que atue como repressora nas ruas da cidade. O direito à cidade deve ser fundamental. A liberdade de ocupar as ruas e praças da cidade com manifestações culturais precisa ser livre, sem burocracias e regras, onde todos possam viver e trabalhar.

VC: quais seus planos para o futuro?

Ed Marte: quero continuar nas lutas ativistas por uma cidade mais humana e justa, onde todos possam ser o que quiserem, onde os corpos possam ser livres na sua diversidade e onde os direitos possam ser igualitários. Uma cidade sem desigualdades sociais. Com direitos dignos para todas e todos. Quero ser um artista visual reconhecido no mundo todo.


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