Diversidade é a palavra de ordem do Espaço Comum Luiz Estrela

Casarão ocupado em 2013 se transforma em espaço de formação artística permanente

Quem passava pela Rua Manaus, número 348, antes de outubro de 2013, via um casarão abandonado. Depois dessa data, o local foi reinventado e se transformou no Espaço Comum Luiz Estrela.

Abandonado por quase duas décadas, o casarão foi ocupado por ativistas e artistas, e hoje é um espaço de formação artística. O imóvel é tombado pelo Patrimônio Cultural de Belo Horizonte e já sediou o Hospital Militar, o Hospital de Neuropsiquiatria e o Centro Psicopedagógico. “O espaço tem uma história muito pesada e hoje é um centro cultural para todo mundo, desde pessoas em situação de rua até aqueles com um bom poder aquisitivo”, ressalta a arquiteta e urbanista Priscila Mesquita Musa, integrante do Núcleo de Memória e Restauração do Espaço Comum Luiz Estrela.

A iniciativa é formada por um coletivo de coletivos que se formaram a partir dos movimentos sociais de Belo Horizonte, como a praia da estação e o carnaval de rua. O incômodo dos coletivos, por só terem ações e eventos pontuais, levou à criação do espaço que propõe uma movimentação cotidiana, criando outra política, outras formas de vida, de se relacionar, de cuidar da saúde, de alimentação. O local foi pensado nas artes e na cultura, no sentido mais amplo e não só na dança, na música. “A ideia é ligar o corpo com a política, com a cidade”, ressalta Priscila.

De acordo com ela, o espaço pertence à Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG). “O poder público não interfere e deu cessão de uso por 20 anos. Temos autonomia para gerir”, disse. Em 2015, foi aprovada pela Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais a restauração do telhado original do Espaço, que pertence ao Conjunto Urbano da Praça Floriano Peixoto, tombado pelo patrimônio cultural de Belo Horizonte. De acordo com a secretaria, o valor aprovado para esta restauração foi de 89 mil reais.

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio das Promotorias de Justiça de Direitos Humanos e com apoio do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos e Apoio Comunitário (CAODH), sempre que demandado, atua no sentido de garantir que haja um processo de negociação entre os movimentos sociais ou organizações populares e os demais atores envolvidos. “A gente trabalha para que o processo seja justo e para que o resultado leve em consideração o interesse social em jogo, até porque o direito de propriedade não é absoluto. Em muitos casos, o Ministério Público  atua como mediador dessa conflituosidade social, evitando que seja necessária a imposição de uma decisão,” explica a promotora de Justiça Nívia Mônica da Silva, coordenadora do CAODH.

Teatro

O espaço tem vários núcleos que dão vida ao local, como teatro, música, arte expandida. As iniciativas são propostas por coletivos fora e dentro do espaço, mas esses núcleos mantêm atividades fixas, tudo feito por meio de doações e trabalho voluntário.

Um dos núcleos que está desde início no espaço é o teatral. A atriz e diretora de teatro Manu Pessoa faz parte do Espaço Comum Luiz Estrela desde o primeiro pensamento. “Participei da ocupação e da fundação do núcleo de teatro”, comenta.

Para ela, a proposta é incrível dentro do cenário cultural de Belo Horizonte, pois é uma tomada da sociedade civil em criar o espaço público que seja autogestionado por eles mesmos. “Quando a gente ocupou em 2013, estávamos vivendo a efervescência do discurso da população indo para a rua. O espaço foi ocupado por uma cena teatral. A importância do teatro dentro do espaço”, relata a atriz que participou dos espetáculos “Escombros da Babilônia”, encenado na rua do Espaço e “Babylon Cabaret”, encenado no pátio do local.

Manu Pessoa explica que o trabalho, dentro do espaço, é feito em diferentes frentes como a formação, criação e produção. “Acabamos de sair de uma temporada de um espetáculo que reuniu mais de 60 pessoas na equipe. Aqui agrega diversidade. Temos pessoas de diferentes idades, portadores de deficiência, entre outros”, disse.

A ideia é consolidar o Luiz Estrela como espaço agregador que soma artes e ideias, de diversidade, sem preconceitos e que a arte tenha força nesse sentido. Manu afirma que no início foram de casa em casa no bairro Santa Efigênia, região leste de Belo Horizonte, para explicar a proposta e trazer mais pessoas para o local. “Temos apoio da igreja católica e buscamos fazer uma boa vizinhança com as pessoas. A gente quer muito mais parceiros e fazer com que o espaço seja aberto para a sociedade”, conclui.


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