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Contribuição de Laudiane Lopes Leal
Presidente da Creche Comunitária da Vila Cemig

Os professores do CEFET-MG estavam procurando uma creche para reformar e a nossa foi indicada à pedagoga Mônica Mansur, através de um parceiro na festa de Natal da Cemig. Ela então entrou em contato com a creche e agendou uma visita para conhecer e identificar as possibilidades da ação naquele espaço. No dia da visita, os professores do CEFET-MG explicaram sobre a Operação Brasil e acertaram a REFORMA da creche. Nesta ocasião, os professores listaram os materiais de construção necessários para a execução das atividades acordadas. A mão de obra para a realização dos trabalhos foi oferecida voluntariamente pelos alunos e professores do Lycée Martin Nadaud e do CEFET-MG, membros da Opération Brésil – BH. As ferramentas necessárias, assim como o transporte dos jovens foram oferecidos pelo CEFET-MG. A Creche se responsabilizou pela alimentação dos alunos e professores nos dias de trabalho e pela aquisição dos materiais de construção necessários. Foi feito um orçamento prévio dos materiais totalizando em mais de 5 mil reais. Não havia como conseguir este recurso em tão pouco tempo.
Começamos a mobilizar a comunidade local. Enviamos ofícios para donos de lojas, bilhetes para os pais, divulgamos a ação em nossa página no facebook e afixamos cartazes na comunidade. A ajuda começou a surgir. Houveram doações de uma pessoa que não quis se identificar, que ofereceu parte do material necessário. Ainda assim, a pouco menos de 10 dias para o início das obras ainda faltavam muitos materiais necessários. Procuramos a PUC Minas – Barreiro, que é uma parceira e idealizadora da Rede Social do Barreiro – um grupo de aproximadamente 50 entidades do Terceiro Setor, que se reúnem mensalmente com o objetivo de fortalecer os vínculos interpessoais e interinstitucionais, por meio da troca de experiências. Em conversa com uma das professoras da PUC, Carolina Resende, sobre a necessidade dos materiais de construção, ela logo sugeriu o envolviomento do CeMAIS, para que pudesse ajudar no processo. Assim foi feito. Com sua experiência em articulação intersetorial, o CeMAIS buscou, por meio de seus parceiros, a captação de materiais e recursos necessários para a reforma da Creche.
A reforma seguiu o projeto arquitetônico apresentado pela Creche, cuja finalidade primordial era atender às exigências do órgão de fiscalização sanitária da Prefeitura de Belo Horizonte. Além disso, passou a oferecer um ambiente mais agradável e confortável para as 95 crianças que passam o dia todo por lá. Com isso, a brinquedoteca e o pátio interno receberam diversas melhorias, como pintura, reforma do telhado, criação de canteiros para horta e até mesmo um escovário, decorado com um belíssimo trabalho de mosaico, que é marca registrada da Opération Brésil.
As dificuldades foram superadas, pois tanto os franceses voluntários, como os alunos do CEFET-MG foram solícitos com a causa. No início, havia grande preocupação com a alimentação, etc. Mas tudo correu bem. O início das obras se deu no momento em que a Creche estava de recesso, aí a comunidade ajudou a preparar as refeições para os alunos e professores. Nos primeiros dias, houve a insegurança de não conseguir comunicação com os franceses, apesar do auxílio dos alunos do CEFET. Todas as conversas com os franceses eram traduzidas pelos alunos do CEFET, até o dia em que os alunos não estavam. Nesse dia, havia chegado um grande volume de materiais na creche e a comunicação com os franceses se tornou imprescindível. As alternativas para comunicar diretamente com os franceses foram criativas, além das mímicas e outras formas não verbais. O Google Tradutor foi de grande valia nesse dia.
Os moradores da comunidade ficaram muito contentes em receber os estrangeiros. Todos queriam estar por perto para ouvir os franceses conversando, observando como eles trabalhavam. Tudo isso foi muito diferente para todos. Ao se aproximarem da Creche, as pessoas acabavam se envolvendo e oferecendo ajuda. Alguns moradores e até mesmo pais de alunos se sensibilizaram com a ação e ajudaram com suas habilidades de pedreiros e pintores. No dia da despedida dos franceses a mãe de uma aluna e uma das professoras da creche doaram salgados. No último dia da reforma, quando o trabalho estava quase encerrando, os franceses pediram quatro parafusos. Saímos para comprar os parafusos com um dos franceses. Não foram encontradas as peças em nenhum dos depósitos da comunidade, mas sim em uma “vendinha”. O comerciante observou a conversa diferente com o francês e quis saber o motivo daquele estrangeiro na comunidade. Contamos a ele sobre a reforma da Creche e, no final, o comerciante doou os materiais.
A confraternização final foi uma oportunidade de agradecimento a todos os parceiros que contribuíram com a reforma. Os alunos se envolveram e as crianças da creche, ajudadas pelos professores, fizeram pinturas, outras confeccionaram itens de artesanato e outras organizaram uma apresentação musical para homenageá-los. Um dos franceses improvisava uma roda de capoeira com seu berimbau. Foram criados vínculos com aquelas pessoas. A alegria tomou conta, o dever fora cumprido, criando um espaço mais aconchegante e acessível para as crianças da Creche. Houve uma grande troca de experiência durante a estadia dos franceses. Eles mostraram fotografias do lugar onde moravam, mapas de seu país, imagens de castelos e contaram muitas histórias. Alguns deles foram para dentro das salas de aula, para ouvirem as crianças cantarem.
Tudo foi muito além da reforma da Creche. Esta ação serviu para chamar a atenção dos pais e dos próprios moradores da comunidade, pois quem se prontificou, em primeira hora, para transformar a Creche, foram pessoas de fora da comunidade, de fora do nosso país. Os pais das crianças começaram a perceber com tudo isso, por estarem tão perto, que sempre podem fazer mais pela Creche.

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O Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG) possui, desde 2009, uma parceira com a Opération Brésil, uma ONG francesa criada por professores de liceus técnicos e profissionais da região de Tours, na França, que se dedica há 12 anos à reforma de creches em comunidades de Belo Horizonte. Assim, todos os anos, no mês de julho, cerca de 10 a 15 jovens franceses e brasileiros, sob a direção de professores dos dois países, se encontram e trabalham lado a lado. Com essa oportunidade, eles aprendem novas técnicas construtivas, um novo idioma, modos de vida e, sobretudo, ganham uma rica experiência de vida. Em 2014 a instituição contemplada foi a Creche Comunitária da Vila CEMIG. Este é um modelo de iniciativa excelente e que deve ser incentivada. Com esta parceria, todos ganham: as instituições, os voluntários, os parceiros, os apoiadores e, especialmente, as crianças, suas famílias e a comunidade em geral.

 


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