13º ENATS – Painel 6: Estratégias de captação de recursos

Mediadora:
Janice Salomão

Convidados:
Marta Gambini – Nota Paraná
Jonas Araújo – TRACKMOB

O painel estratégias de captação de recursos fechou o 13º Encontro Nacional do Terceiro Setor (ENATS). Marta Gambini, do Nota Paraná, chamou atenção para a “montanha” de notas fiscais que, normalmente, são descartadas. “No Paraná, as notas não vão mais para o lixo. A receita federal controla a arrecadação e combate a sonegação. E as pessoas ainda podem ser premiadas”, explicou.

Muita gente ainda tem medo de informar o CPF nas notas, mas a distribuição de prêmios é feita pelo número desse documento, incentivando o comprador a informá-lo. “A pessoa deposita a nota nas urnas localizadas nos shoppings e depois faz o cadastro no site”, disse.

O Nota Paraná é um programa de estímulo de cidadania fiscal e há sorteios mensais de 250 mil reais em prêmios. A iniciativa já devolveu para o consumidor cerca de meio bilhão de reais. “Por que vocês não criam em Minas Gerais?”, sugeriu Marta.

Jonas Araújo, da TRACKMOB, explicou como a tecnologia pode ajudar as organizações a captarem mais recursos. De acordo com ele, a empresa trabalha constantemente com a inovação para que as pessoas que doam recursos para as organizações tenham uma boa experiência e voltem a doar.

“É importante a transparência”, ressaltou. Além disso, as organizações estão usando não só a tecnologia a seu favor, mas também a criatividade para captar recursos com menor investimento.

O primeiro cliente da TRACMOB foi o Greenpeace e as doações eram feitas por meio de pessoas físicas. “Antes o contato era feito pessoalmente, com preenchimento de uma ficha de papel. Depois a empresa digitava, conferia e inseria os dados dos doadores. Desenvolvemos um aplicativo e tudo é feito automaticamente, na rua. Na mesma hora, a pessoa recebe uma mensagem de boas-vindas. Tudo isso reduz os custos”, explicou Jonas.

De acordo com ele, quando a pessoa vai cancelar a doação, é orientada a entrar no site e lá assiste a um vídeo de agradecimento. Esse processo pode evitar o cancelamento, mesmo que seja necessário reduzir o valor da doação. “Não perder doador é tão importante quanto conquistar”, afirmou.

Jonas ressaltou que muitas organizações têm mais de uma campanha para buscar recursos e que em alguns lugares um doador pode convidar outro. “Você pode se comunicar com cada tipo de doador, pela quantidade de doação, em datas especiais, facilitando as campanhas”, disse. Para ele, “independentemente do orçamento, as organizações conseguem driblar as dificuldades com criatividade.”

Finalizando, Jonas disse que independentemente do tamanho da organização é possível criar uma base de doadores. “A pessoa doa pela causa, pois acredita que a instituição a representa. Quando você fala o que a organização faz, é transparente no trabalho, comove as pessoas e consegue mais doadores”, disse.

Janice Salomão que acompanha algumas dezenas de organizações sociais, além de ser gestora e voluntária também, destacou a importância de alternativas como estas apresentadas no painel para enfrentar este momento difícil da economia. Mas, ao mesmo tempo, refletiu sobre a trajetória histórica das organizações e suas dificuldades na captação de recursos, demonstrando superação dos limites pelo compromisso com a causa. Alertou que precisamos fortalecer as relações intersetoriais e conquistar recursos como o do Nota Paraná, que pode ser realizado em Minas Gerais, e para isso precisa do apoio do Governo do Estado e da Assembleia Legislativa.

Janice apontou que é preciso ser incansável nessa busca pelas parcerias e pelos doadores, mas que é fundamental fortalecer o terceiro setor para que a sociedade reconheça e invista nos bons projetos e iniciativas.

 Janice Salomão de Andrade é diretora-presidente da Conviver Saber Social. Licenciada em história com MBA em gestão educacional. Especialista em Projetos de garantia de direitos e fortalecimento institucional do terceiro setor.

 Marta Jandira Quaglia Gambini é graduada em administração e pós-graduada em direito tributário. É auditora fiscal da Receita Estadual do Paraná e coordenadora geral do Programa Nota Paraná.

 Jonas Araujo é formado em sistemas de informação. Trabalha com terceiro setor desde 2011, quando foi responsável pelo desenvolvimento de diversas plataformas para captação de recursos com indivíduos para o Greenpeace Brasil.


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