13º ENATS – Painel 4: Investimento Social Transparente – a visão dos investidores sociais

Mediador:
Thiago Alvim

Convidados:
Raphael Lafetá – Instituto MRV
Ives Rocha – Fundação Vale

“Precisamos de mais direitos fundamentais garantidos”. Antes de falar sobre transparência, Raphael Lafetá, do Instituto MRV, esclareceu que a Organização, com sede em Belo Horizonte, trabalha para oferecer à sociedade um produto que é social: a habitação popular. “Entende que doar dinheiro não é a única forma de engajamento e de estar envolvido com a transformação social”, ressaltou o convidado do quarto painel do ENATS, Investimento Social Transparente: a visão dos investidores sociais, mediado por Thiago Alvim.

O representante do Instituto MRV explicou que foi criado o programa de voluntariado, contando com 1400 voluntários e atuando em 145 cidades, em menos de dois anos de existência. “Atualmente conseguimos 1% do lucro líquido para investir em projetos sociais, mas mesmo assim ainda é difícil escolher um projeto ou ideia”, disse. Rafael enfatizou que os projetos ainda são mal apresentados, faltam dados, são pouco estruturados e sem objetivos.

De acordo com ele, em dois anos foram investidos R$ 3 milhões em projetos, atingindo de forma direta 24 mil pessoas e indireta outras 80 mil. “Temos um projeto de transformar através da educação e, por trás da metodologia, há a votação popular, pela internet, para escolha dos projetos que receberão investimentos, dando maior transparência ao processo”, explicou.

Ives Rocha, da Fundação Vale, foi também convidado para o painel. Para ele, quando trabalhamos e pensamos no desenvolvimento de projetos sociais, “todo dia é um dia especial”. De acordo com Ives, a fundação Vale também nasceu ligada à questão habitacional. “Nas décadas de 60 e 70, a Vale cuidava da construção de casas para os empregados e propunha empréstimos e financiamentos habitacionais subsidiados. Com o tempo, o compromisso da empresa com a comunidade foi se aperfeiçoando e passou a trabalhar com responsabilidade social”, explicou.

De acordo com Ives, são três desafios principais da Fundação: “romper a visão assistencialista, aumentar a efetividade de recursos de investimentos na melhoria da qualidade de vida do beneficiado, e identificar as iniciativas sociais, potencializando a gestão das organizações, desenvolvendo parcerias em projetos intersetoriais.” Ele afirmou que a Fundação atua com eficiência, com equipes de especialistas dedicados, envolvendo setores governamentais e outras empresas.

Ives afirmou que a transparência é prioridade, uma vez que a Fundação trabalha com recursos privados, mas para fins públicos, em três pilares de atuação: educação, saúde e geração de renda. “É importante que as comunidades envolvidas com as organizações sociais sejam capazes de formular, pensar e colaborar, com construções e soluções desenvolvidas por elas e para elas”, ressaltou.

De acordo com ele, a Fundação Vale elaborou marcos conceituais, como, por exemplo, na educação e na cultura. “A atuação na educação busca a disseminação dos saberes. Quando construímos coletivamente, conseguimos colaborar com as organizações parceiras e aprender com  a parceria”, disse. Um papel também importante é aproximar culturas. “Quando há uma diferença entre entendimento de culturas e entre linguagens é necessário a criação de um vocabulário comum para construir e facilitar o diálogo”, afirmou.

A Fundação Vale criou também o projeto “Casa Saudável”, implantado em locais onde não há rede de esgoto e faltam políticas públicas. “Os próprios moradores foram capacitados para fazer os banheiros por aterramento e um reservatório de cisterna”, concluiu.

Thiago Alvim afirmou que, em muitos momentos, a abordagem do terceiro setor é feita enfatizando o lado emocional. Mas na verdade as empresas buscam parceiros com capacidade de organização, que ajudem a construir resultados para a sociedade. “Os projetos devem ser transformadores”, finalizou.

 Ives Rocha é psicólogo e analista de responsabilidade social da Fundação Vale, com atuação em promoção e proteção social, parcerias intersetoriais e captação de recursos.

 Raphael Lafetá é engenheiro mecânico e diretor no Instituto MRV e MRV Engenharia.

 Thiago Alvim é graduado em administração pública e mestre em administração. É sócio e cofundador da Nexo, consultoria especializada em Investimento Social. É um dos fundadores da Startup PROSAS, uma rede social que conecta quem investe e quem executa projetos sociais.


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