13º ENATS – Painel 2: Negócios Sociais

Mediadora:
Marisa Seoane Rio Resende

Convidados:
Gabriela Reis – YUNOS
Vinícius Caires – FRAMESOFT
André Barreto – Fiat Chrysler Automobiles

Com mediação da chefe de gabinete da Procuradoria Geral do Município de Belo Horizonte, Marisa Seoane Rio Resende, o segundo painel multisetorial do ENATS abordou o tema “negócios sociais”. Foram convidados Gabriela Reis, da Rede Yunos, e Vinícius Caires, da Framesoft, e André Barreto, da FIAT Chrysler Automobiles.

Marisa disse que foi uma honra mediar a mesa que fala de um assunto tão relevante para o terceiro setor. “Ao longo desses anos, alguns temas chegaram e revolucionaram esse movimento que é da sociedade civil organizada. Dessa forma, o terceiro setor vai superando dificuldades, transpondo barreiras e resolvendo os problemas na ponta da organização”, ressaltou.

Gabriela explicou que negócios sociais é um conceito criado por Muhammad Yunos, um economista de Bangladesh. Yunos incomodado com a economia e a situação de mulheres, procurou soluções para melhorar a vida de forma que elas saíssem das dívidas. “Ele começou a emprestar dinheiro do próprio bolso e a partir daí foi criado o primeiro banco de microcrédito. Dessa forma, tirou milhões de pessoas da miséria”, relatou.

O negócio social está entre o tradicional e uma organização social. Não é uma empresa, apesar de estar nos mesmos moldes, e o objetivo não é lucro, mas resolver um problema. “Não sobrevive por meio de doações, mas por meio de mecanismo de negócios por valores justos”, ressaltou Gabriela. Existem negócios sociais no mundo inteiro e a Rede Yunos foi criada apoiando o desenvolvimento desse tipo de negócio. Em Minas Gerais, está presente desde 2016 e vive de venda de serviços de desenvolvimento. Ela cita alguns exemplos de negócios sociais: moradia digna, acesso a reformas e regularização de imóveis das classes C e D.  

André Barreto apresentou o kit lixocar que todos os participantes do painel receberam. “Esse produto tem um conceito de processo produtivo circular, geração de renda em comunidade e foi produzido em uma comunidade próxima à Fiat, além do empoderamento feminino com moda e design”, disse André. Tudo é realizado por meio da Cooperárvore, que completou 10 anos.  Com origem em um programa social, a cooperativa surgiu oferecendo oportunidades de desenvolvimento de artesanato para as mães dos meninos beneficiados de outro programa.

Atualmente, tudo é formalizado e tem como objetivo a produção, e geração de renda, utilizando o refugo da indústria automotiva. “Hoje, deixou de ser um projeto social e se transformou em um negócio social”, ressalta. Para André, é um grande desafio assumir a própria cooperativa no contexto atual político-social  do país. “A crise retraiu a economia e muitas empresas deixaram de comprar. A partir desse contexto, o que antes era focado no cliente cooperativo está sendo direcionado para o cliente final. É um desafio de aprendizagem constante”, completou.

André falou que, no início, havia profissionais da área administrativa e do design trabalhando na cooperativa, mas com o tempo os próprios cooperados assumiram tais funções.

Vinícius Caires, que trabalha em uma empresa tecnológica, teve a ideia de criar um software de gestão para organizações sociais “Em 2014, fomos até uma instituição de idosos, na região de Araraquara, e entendemos a necessidade no que diz respeito a automação. A partir disso, foi criado um projeto para opção de prontuários clínicos dos idosos, uma vez que essa demanda era algo que precisava ser iniciado e sustentado. Foi desenvolvido o  “skylife”, sistema de controle para associações. Em apenas seis meses conseguimos parceiros e entendemos o processo, a demanda do terceiro setor e o conhecimento interno daquela instituição”, explicou. De acordo com ele, é possível adaptar o software para outros públicos, com um custo otimizado, mas o foco inicial é o idoso.

Ao ser questionada por Marisa como iniciar um negócio social, Gabriela Reis afirmou que não existe fórmula para começar algo e nem sempre será simples. “De início, é necessário pensar os tipos de demandas existentes, que inclusive podem ser os problemas sociais. A partir daí, definir que tipo de produto ou serviço será oferecido. É necessário mudar a visão de beneficiados para protagonistas. É possível levar oportunidade de trabalho e dignidade além do acesso a produtos e serviços que cabem no orçamento”, explicou.

André falou que, diante do cenário econômico, as empresas estão cada vez menos aportando recursos, porém é uma oportunidade para as iniciativas sociais se inserirem no negócio da empresa. “Não utilizando capital, mas a inteligência que vai ajudar aquele projeto a decolar. Além disso, há as parcerias que facilitam o processo com outros tipos de recursos”, concluiu.

Para Gabriela, o cenário ideal é aquele em que as empresas aprendem com os negócios sociais de forma a gerar impacto positivo para a sociedade e as organizações sociais utilizam os mecanismos dos negócios para inovar. Finalizando, Vinicius esclareceu que o projeto social e a filantropia são iniciativas com deveres e obrigações. “Por mais que seja algo voluntário, é preciso ser profissional, com capacitação e organização.”

 Vinícius Caires é graduado em processamento de dados com MBA em gerenciamento de projetos. É sócio-diretor da empresa Framesoft.

 André Barreto Fortes Silveira Faria é graduado em Relações Públicas, pela PUC Minas, pós-graduado em Gestão com Especialização em Negócios. Atua na área de sustentabilidade e responsabilidade social da FCA – Fiat Chrysler Latin América.

 Gabriela Reis é formada em design, pós-graduada em Gestão de Marcas e mestre em Design com foco de estudo no desenho de negócios sociais. É gestora da Yunos Negócios Sociais em Minas Gerais e membro do Global Shapers Belo Horizonte.

 Marisa Seoane Rio Resende é chefe de Gabinete da Procuradoria Geral do Município de Belo Horizonte e sócia-diretora da Direta Sustentável. Coordenou diversas publicações do Sistema Fiemg na área de Responsabilidade Social e Sustentabilidade. Co-fundadora do CeMAIS .


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